sábado, 1 de diciembre de 2007

LUGAR FEMININO


No Banquete
Sócrates, diz nada saber
sobre o amor, a não ser,
O que ouviu da boca de
Uma Mulher!
Mas Diotima, é sacerdotisa
de terras remotas,
É estrangeira.

Feminino é um lugar,
Onde se exerce o humano em plenitude

É do suposto ardil do ventre,
Que o amor ressurge intacto.
Eros re-velado, amor ativo
Dom dilatado,
Que fecunda, engendra, produz
Cri-ação.

lunes, 27 de agosto de 2007

Tempo Sul

(Pampas - Rio grande do Sul)

Escrevo tempo.
Em meus ouvidos se acentua o tintilar das castanholas. Música flamenca que ouço, como se viesse de longe. Aprecio músicas com componentes étnicos. Força latina. Exuberância feminina.
Hoje, no Rio Grande do Sul estou. Farroupilha.

Noite fria, aquecendo meu pensamento. Relembro.
Lareira acesa. Esqueço dor. Me aqueço e deslembro.
Dedilho. De vez em quando ouço o chiar da chaleira.
Água quente, encho a cuia de chimarrão.

Inverno.
Dedilho entre erva e cuia, uma e outra mais.
Algumas vezes me sinto mais brasileira tchê.
Descendência luso-polonesa de radicação sulista.
Paranaense nata. Brasileira soro.
Concentro-me em minha identidade sulista. Intensifico-a. Recrio novos tons.
Perene re-inventar-se. Mulher brasileira em primeiro lugar. Uma prenda.

No ar, castanholas, vestidos compridos, decotes acentuados, sapatos delicados, adornos nos cabelos... ativados pela musica, cultivo identificações.

É minha vasta genealogia que me remete às naus portuguesas e aos oceanos.
Francisca Brazil - minha bisavó portuguesa embarcou numa delas, cumprindo assim sua odisséia migratória.
Maria Brazil - minha avó brasileira, sabia mulher inculta, foi quem por geração manteve o Brazil no nome das mulheres da família. Então, em nome e forma o Brasil ditou-se aos liames de uma história - minha história.
Este Brasil está plasmado em mim. Deixa lastro, faz história. Faz semente e matéria vibrante.
Ao materializar-se, recria um universo de correspondências que são indícios de minhas inquietações!
Estou no sul. Já estive na Amazônia.
A floresta é prenhe e plena. Madeira, Manaus de barco, quatro dias.

Reconheço o que há de Tupi Guarani aqui.
Dancei forró e amei a exuberância nordestina.
Vi o vento dançando nos canaviais.
Depois Diamantina, Chapada dos Guimarães, Guimarães Rosa, (com ele aprendi o segredo das sílabas). Sertão veredas e ser tão verdade.
Orlando Villas Boas, causa admiração.
Rondon, incontestável herói.
Comi tucumã e tacacá, não achei tão bom, sapoti.
Graviolas, delicioso fruto da terra!
Curitibana estou, caipira sou.
Esta mistura de conteúdos, gênero, prosa, verso, com rima e quase sem rumo, torna-me mais Brasil. E no Brasil as margens são plácidas!
Foi ao sul que nasci.
Engenhosidade sulista, estranheza européia.
Quando menina, brincava de admirar as estrelas. Às noites, deitava no chão e por incontáveis horas, contemplava. Parece que vivia uma outra experiencia do tempo.
Cruzeiro do sul, sempre prende meus olhos.
Regionei-me Sul.
Norteei-me Leste.
Orientada estou.
Vivi em Salto Del Guairá. Divisa territorial. Língua - o guarani.
Sotaque fronteiriço. Peso Paraguaio. Terra Rocha.
Caminhava entre os trigais.
Laguna terra de meus avós. Santa Catarina 1940.
Recente estive por lá.
Torres é quase divisa. Bebo chimarão por história que me precede.
O som do sotaque gaúcho me agrada. E os pampas possuem extraordinária beleza.
Às vezes me sinto uma verdadeira prenda!
Volto e revolvo.
Voltas que dou, caminhos que andei.
Prenda? O que será que isto quer dizer?!!
Tomada por significante deste porte, consultei dicionário.
É adorável!
Prenda = adereço, jóia, artefato, dom, dote, habilidade, qualidade, penhor, prêmio.
São estes os atributos da mulher do sul?
Haja Édipo! E mate!
Eros agindo. Eu re-agindo.
Ardis e tanto, de prenda ardente, que não se prende tão fácil assim!
Invento um modo, inverto um tempo, converto mais.
Deixo-me queimar nesta brasa viva! Assim forjo asas com desenhos que a existência vem fazendo, ao mutilar minhas verdades semi-lacradas, semi- cerradas, na imensidão de um nada enquanto atributo do todo.
Nesta imponderável claridade vislumbrada, diviso com o perdido, o sonhado e o esquecido.
É neste labirinto desolado, deslocado, de folhas e grafismos, que desvendo minhas marcas.
Apelo ao distante e norteio meu anseio por horizontes desconhecidos.
Alter-ação necessária aos itinerários de meus limites ordinários.
Encanto sem captura.
Mobilidade em difusão.

lunes, 30 de julio de 2007

MELODIA TRIUNFAL

Para muitas coisas, as palavras não são suficientes!
Ouvir o Messias de Handel e a paixão segundo São Mateus de Bach, não sei nem dizer. Como isto cala, como isto cola, e por fim, fica aquela sensação reconfortante de - não há nada mais a dizer. Está tudo dito!
Mas a palavra é suficientemente sagaz.
Melodias triunfantes. Ode ao espírito, genialidade. Expansão sublimada.
Bach, floreia de musi-cidade, a mais alta calamidade imaginável, e a compõe alardeado de espanto e amor!
Assombro elevado em dignidade. Sublimidade de quem por certo, ouve o silencio, adentra espaços infinitos, e compõe em radiância atemporal!
Diante desta magnitude... há mais ainda?
É no centro que habita a essência de ser. Um nada. Um nada circular. Uroboros decodificada, e um nada mais a dizer alongando... ad infinitun.
Estupefação, ironia, divinidade.
Lástima coercitiva, emanam de acordes musicais impressionantes.
E a musica me leva ao limite do suportável.
Dentro do Tempo, inexorável anankê reverbera.
A iridescente chama sonora se precipita com toda excelcitude!
Tamanha a força audível, que contenho um grito de pare, porque ouço a sussurro do desejo de prossiga.
Algo audaz perturbador e fascinante, acontece. Tipo sonho de Tereza D´Avila e seu gozo do absoluto! Um crendiospai ingênuo, inocente até... é a única coisa que se posso pensar, quando neste lastro luminoso de visão sonora, um soberano veio da realidade é descortinada!

O coro é quase uma cosmogonia.
Como ousaria eu, gritar ao coro: Eis que vejo o céu aberto! Cessem! Cessem, essas vozes altissonantes, e fechem o céu. Suspendam as esferas.
Hiperbólica miragem!
Expressão cardinal de sentido, sonoridade que desafia o Tempo, descompassa corações, e formula a inolvidável trajetória do espírito.
Os violinos, flautas e trompetes choram, proclamam Belém e alardeiam o Gólgata.
O coro me faz engasgar, enjoar, coração acelera, e uma voz a me dizer: Vês! Entendes?
Crianças celestes se cobrem de estrelas e aliviam a dor e o olhar petrificado da mãe, que vê seu amado filho, ali, no mais alto da sua com-paixão.
Próximo, muito próximo a mim, posso vislumbrar a luminosidade dos olhos de Handel pela criação, aclarados.
Iluminados sim, por tão entusiástica visão, formulando arrebatadora alquimia, eternizada num colossal convite: Compartilhem minha visão, comam o livro de João, escutem minhas lágrimas, vejam o brilho do eterno, ouçam a redenção!
Pensamentos alados e resplandecentes ressurgem, como se viessem do Tempo, para assegurar que não é a ruína do mundo que se desvela diante de olhos mortais!
Por regência maestra, a musica de Bach, conduz aos diáfanos horizontes da Rosa.
Sonoridade plena de sentido e alma.
Imortalidade do espírito traduzida em excelsas oitavas maiores.
Sacralidade reencontrada! Celeste melodia.
הַלְּלוּיָהּ Hallelû yāh!!
O Universo estremece.

O sublime recobre a dor de existir.
Ondas de força imagem, causam esta necessária suspensão do horror, ensartando a candura.
Candura imprescindível, que acalma meu olhar estarrecido. E de olhos em olhos, um indelével olhar encontra o meu, e relança-me a pergunta que não cala: Vês? Estais vendo? Entendes?
Quase sem poder respirar, era quase insuportável ouvir, este: Estais vendo? Mas o límpido coro infantil, não permite que eu saia do liame.
Adentrava em meus ouvidos, não sei bem por onde, ou de onde, talvez uma aparição reflexa, do recôndito dos mais afortunados pensamentos. Vozes de crianças celestes, as mais puras crianças celestes, irrompem em testemunho da grandeza!
Uma avassaladora surpresa de Bach, com vozes vivas estrondeantes, que talvez, só Dante pudesse descrever e Beatriz ouvir...
Bach, realmente sabe nos enredar, nos contorcer como serpentes no cadafalso, para depois de suficientemente aviltados por nossa própria consciência, nos elevar ao Lugar Mater de todos os Lugares.
E diante de tão inusitada visão, um sufocamento mudo insurge. Inunda de régia- alma e lágrima, o ser imemorial.
Epifania do Indizível !

A música desbrava minha sensibilidade e irrompe o real sentido, para mais-além da obscura caverna platônica, conservada com esmerado apego, pelas vãs fantasias e desejos fúteis!
Me calo. E a única coisa possível de pensar, por três dias consecutivos...
- Deus, Tende piedade de nós...
הַלְּלוּיָהּ Hallelû yāh!!

jueves, 19 de julio de 2007

La Rosa

Mi labra y mi palabra

Estuve por yermos desiertos,
Eras sin tiempo
Todavía, siempre creí haber un sentido.
En el entrelazo, en cada línea que yo trazo
Delineación de uno
Recóndito secreto
Labro suelos y abro espacio
Para que advengan las primaveras.
Acaézcanme flor y ser
Rosa, que linda eres vos!

lunes, 16 de julio de 2007

TESTIGOS DE MI SOLEDAD

A vida, a vida sempre terá a última palavra.
E nós? Baldeados, conjugados, analíticos, criteriosos,
Excomungados no Éden.
E o que ainda mais?

Sob todos os aspectos, as relações entre os gêneros,
É de uma solidão que se fala.
Se cala, se faz voz, grito, eco e dor.

Quero revestir-me de leveza,
Distanciar-me das figuras implementadas de femininos tardios.
Emblemas divisórios, águas turvas, complexidade sexual.
A mulher não existe... aforismo estranho, assaz, pertinente!
Então invento-me todo dia,
Em continentes vermelhos, ilhados em mim.

E así es... por todos los tiempos,
Los hombres se han preguntado: ¿Que quiere la mujer?
Las mujeres no pueden responder. No conocen la respuesta.
Todavía, la respuesta talvez sea, que la mujer quiere decir
De lo indecible, que habita su propia habla.

domingo, 1 de julio de 2007

Plausível Etnia

Foi por imersão intensa em minha própria tradição, que pude ampliar meus territórios. Aí entendi algo do poder das etnias.
O moderno se tornou desetnificado. A potencia deste saber-comum-humano está em crise.
Perdeu-se a aventura das etnias.
Etnias são fontes de belos e ricos atributos simbólicos, repletas de conhecimentos singulares.
Encontro na força/forma das etnias, um recurso viável aos critérios próprios para ser e conhecer.
Nômade, constante, incansável, percorro mundos retirando o véu de Isis.
Crio ai um ponto de ancoragem, que põe em voga o significado de reconhecer o comum-humano através da diferença irradiada de exuberância. Plurais oportunidades para as metamorfoses da vida subjetiva. Com isto a secreta doutrina, a mim se impõe, beneficamente margeada pela extra-territorialidade.
Navego pelas praias do saber, unicamente para compor e desenhar meus litorais.
Seara fértil, que tem sempre dimensão exterior/interior.
O externo é sempre externo a si, então não é possível haver um fora - de si.
O mundo conhecido, é o que me leva ao interior de mim. Amplo movimento de si-a-si, onde reconstruo uma humanidade pessoal, intransferível e pragmática.
Penso que quanto mais as coisas se recobrem de um caráter etnico, mais universalmente humano se torna.
Imaginei que pudera mesmo existir a tal transformação integral do ser, mas apenas enquanto pura lógica da eficácia do simbólico.
Aprendi a suspeitar com elegância, da capacidade de manipular essas dimensões extra-psíquicas; e através de retórica, julgar os mais enigmáticos fatos, com distanciamento intelectual plausível.
Porém, chegou o momento em que surgiu um descompasso entre teoria e vida. Tive que comprimir-me no plano pessoal, ir fundo nas experiências enigmáticas, desafiadoras da razão e, enfrentar de corpo e alma a dupla dimensão do empírico e do metafísico. Depois... rezar para conseguir consistência suficiente para uma elaboração intelectual do que foi sentido e experimentado.
Hilário é que justo ali, onde as coisas começam a se tornar claras, onde todos os conceitos herdados e dominantes de realidade, submergem, que se tenta fazer ciência como uma maneira de sair do enigma, universalizando e homogeneizando uma determinada apreensão da realidade. Trata-se do insistente tema do reducionismo ao simbólico. Afinal, o distanciamento intelectual é ainda o último baluarte do que se aceita como discurso, epopéia da ignorância, perfigurada em saber. – Umbral da real experiência!

jueves, 14 de junio de 2007

Azuis


Nos ciclos
Estampados sob azul profundo,
Outonos generosos,
Decodificarão
O que ainda não sou.

Invernadas graciosas,
A recolher-me intacta,
Para que aconteçam
Primaveras florescentes.

Verão.

martes, 12 de junio de 2007

SILENTE



O corpo de meus desertos,
Me ferem de modo irreversível.
Sou habitada por água, vela e mar.
De areia e pedra são meus castiçais.
Enamorada beijo o vento e as Eras.

Meu corpo tece horas,
E nada se apaga como antes.

Minha gravidade permanece imutável no silêncio.
Procuro lugares que me guardem as chamas da mais clara solidão.

martes, 5 de junio de 2007

Paisagens Urbanas

Paisagens Urbanas II

Tantos chegam por aqui.
BR 116- Regis Bitencourt – São Paulo - Sul
Cajati – Jacupiranga – Juquiá
Registro.
Me faz lembrar, as origens indígenas de todo paulistano
Embu – Anhangabaú - Ibirá-puera
Itaim – Urussuí - Jabaquara – Itararé
Quem ouviu o que, no Ipiranga?

Já vivi aqui, e nem lembrava como era.
Doze horas - Av. Paulista. – Trinta e três graus.
Palomas e camelôs de luxo, fazem parte da paisagem
Trinta reais, ingresso pro MASP.
Paul Cézanne, Gauguin, Van Gogh, originais de acervo
Dois ou três Picassos,
As Meninas de Renoir definitivamente, surpreendem meu espírito!

Segundo andar - exposição fotográfica.
A lindeza dos lençóis maranhenses, e o encanto acreano - rio Jaruá
Retiram-me, como que por um portal, da imensa concretude urbana.
Transportam-me o pensamento.
Vejo e recordo cores, flores e pessoas.

Nas avenidas, cafés aroma Brasil,
Poemas de Álvaro de Campos a onze reais,
Nas quase executivas, bancas da Paulista.
Bandeiras alvinegras com quadrilátero
Vermelho, tremulam nos edifícios
Catedrais do mercado!

Um velho, entre outros tantos viandantes,
Com um terno impecável, bebe um café.
Exibe o ultrapassado Sartre,
Fumegando seu charuto esnobe
Fedendo Cuba. Há náusea no ar!
Não há piratas no Tietê,
Mas a pirataria está por ai!

Miguel Cervantes novíssima edição,
Na vitrine de muitas livrarias – preço exorbitante.
Nova tentativa de interpretação de Dante,
Mistura-se com a Brevidade da Vida,
Sêneca – pocket

Que pressa há por aqui!
Que zumbido intransi-gente é esse¿
O tempo em São Paulo é outro.
Na terra da garoa, ronca a trovoada – dezessete horas
A água pára às Marginais,
Umedece o cinza,
O cheiro de asfalto molhado, embriaga o ar.

Tomo um táxi pra não tomar chuva,
No radio, o ministro canta num espacial da Jovem Pan, “cult”
I just call, because I love you
I just call, porque é grande a razão

Oh, mundo tão desigual...
Há muito tom e dom nordestino por aqui
Na selva de concreto e sal,
Música, cheiro de pizza, esfirra e óleo diesel
Azul fumaça transeunte!
São Paulo tem sede de ar.

Dezoito horas.
Paulistano nas ruas. Rostos, rostos, rostos
Aos quinze, já ouvia Caetano
Todo paulistano tem um traço especial
Reconhecível e encantador,

E quando cheguei por aqui, eu nada entendi
Alguma coisa acontece no meu coração.

Toda cidade é uma lenda!

martes, 29 de mayo de 2007

Memória

Memória

Memória é água profunda,
Com correntezas estranhas
Que trazem de volta o que andava pelos ares
Submerge-te em leitos caudalosos
Algumas vezes, te arremessa
A uma praia náufragos.
Sobreviventes das Eras!

Na regência do Tempo, tez pálida dos Dias,
A incessante torrente destas águas,
Irrompe algo... um tom, um som, uma palavra
Lembrança
Pelas eras do que somos, cores são reavidas,
Outrora havidas,
Há vidas. Ávidas de vida

A percepção num rasgo de luz, se ilumina
Percebe o sentido,
Lembra do viço, e cor – encontra.
E na calma desse alvoroço,
Meu coração se descompassa
E nessa quase dissonância, afino.

Encontre-me nessa fonte, eu não tardo.
O que os olhos não vêem, teu coração pode rever
Teus olhos sempre serão os mesmos!
Afinidades Eletivas.

E é nas clareiras dessa selva aberta,
Que oculto minhas pedras de toque.
Enigmas de meus tantos temporais
Meus olhos não mais serão os mesmos!

Talvez o caminho não dê voltas.
Talvez a retidão possa também ser encontrada nas dobras
- Recônditos da memória.
Salto em si maior, para novos acordes.

E é lá, lá onde as curvas fechadas se abrem,
Que adquiro asas.
Quando será que esse sonho audaz de um centro,
Deixará de ser quimera?

O meu corpo tece horas,
E já nada se apaga como antes.

sábado, 26 de mayo de 2007

Tempo Real


Um dia entre tantos outros,
De um tempo também outro,
Uma índia, de uma tribo entre tantas,
Encontra-se a trinta e seis horas com complicações de parto.
Alvoroço na aldeia. Toda uma nação inquietada.
Mulheres, experientes parteiras, resolvem chamar o Pajé.

Canto, coroa, plumas, fumaça, plantas medicinais, e invocação dos espíritos da floresta.
Quarenta horas, e perigo iminente para mãe e filho.
Reverência revelava-se nas feições do Curaca.
Sua imponente presença, transmite algo de pensamento centrado no firmamento.
Com sagrados cantos, realiza o trabalho de cura.
Olhar distante de quem está em comunhão com os deuses, não oculta o tom de gravidade, que circunda a atmosfera.
O vento se torna mais audível, e uma espécie de suspensão paira no ar.
Em determinado momento, o Pajé sai de dentro da maloca, e pede para chamar o cacique e os morumbixabas, que de pronto se apresentam.
O Curaca diz ao Cacique e aos Morumbixabas: - Silenciem toda a aldeia. Medicina conhecida, não suficiente para resolver situação de pequeno-novo-curaca, que está por vir. Preciso escutar os passarinhos, que me instruirão em nova medicina.
Todas as atividades da aldeia são suspensas. Crianças recolhidas, afazeres interrompidos.
Todos reclusos no mais absoluto silencio!
Ao longe de quando em quando, a voz do Curaca como que distante, reverberava o ar, com seu majestoso canto.
Cinqüenta horas, e de dentro do silencio, irrompe a voz do novo infante da floresta!
Acauã - grande ave que ataca as serpentes!
Por isso uma força me leva a cantar!

viernes, 25 de mayo de 2007

Inevitável

Sublinho a extravagância do inevitavél,
Recorrência do incongruente.
Desagravo o impacto em mim causado pelas

Afinidades Eletivas

Invento um verbo.
E esse verbo é verbo poético.
A Alquimia está nas palavras!

jueves, 24 de mayo de 2007

PARAÍSO


Las nubes se arremolinan amenazantes en el cielo.
Las borrascas de verano son siempre ruidosas
Suspensa en el aire - El agua tempestuosa.

Bajo de las nubes,
La cuidad.
Todas las ciudades están bajo de las tinieblas!

El olor de lo antiguo ozonado, se levanta por las calles,
Edificios mal dibujados, se erigen como renitentes al cielo.

Ante la penumbra del final de tarde,
Los gritos amordazados de la población.
La turba de pensamientos dementes,
Perfectamente visibles en los rostros azotados.
Semblantes impasibles, se no los pueden encubrir
Es el reflejo nauseante del malestar crónico
Que a nada ni a nadie, libra.

Algunos transeúntes caminan silenciosos
Unos, con sus cabezas inclinadas,
Otros, con ojos de vacuo,
Otros aún, case llegan a esbozar agudo quejido.

Abajo del torbellino
Las primeras aguas empiezan a caer
La estación del metro, olía a cemento húmedo

Gente aglomerada, quedada en la tarde,
Caminan por galerías grises, cautivos en sus propias brumas.
Navegantes sin puerto.
Cómo que por misericordia, una ráfaga de viento rociado,
Refresca la agonía de los espíritus pasantes.

Delante tan estupenda y realista visión,
Intento suprimir el escalofrío, que recorre mi espina dorsal.
Por entre la muchedumbre con sus balbucíos en coro,
Escapa un aroma de café y pan de queso, de alguna cafetería cercana.
Pero el hambre está más allá del pan.

Una linda y triste mujer con vestido carmesí, y la bolsa colgada en el hombro,
Camina por entre la gente sin poder contemplar, la mirada de tantos.
Hombres rudos con ojos en llamas,
Gateados por tan entusiástica visión, disfrazan el peso de la oscuridad de si.

De los carriles más allá, surge el estrepitoso tren,
Destino: – Estación Paraíso.
Ironías del Edén cotidiano.

miércoles, 23 de mayo de 2007

Imperecível


No ritmo do Tempo imperecível
A vida altera seu compasso
É o Tempo que me revela


A Imponderável Claridade


Remexe o sonambulismo esquecido
De desolados dédalos abissais.


Teu olhar invade meus claustros.
E no forjar de versos, letras e grafismos
Apelo ao distante,

Anseio por horizontes desconhecidos.

Vôos e Paraíso




Ave do paraíso,
Lindo pássaro da aurora de nossos jardins!
Cantam e encantam o Paraíso
Vergel onde os poetas alam palavras!